sábado, 5 de dezembro de 2009

O processo de formação do Candomblé e a construção de suas tradições





por Cintia Raymundo (Cintia da Oxum)



“Os mitos caminham sempre junto com a história e com ela se transformam”. Assim Regina Celestino conclui em seu trabalho Metamorfoses Indígenas que abordava questões de identidades entre grupos indígenas no Rio de Janeiro. O mito transcrito acima pertence, exclusivamente, ao conjunto de mitos dos candomblés iorubás no Brasil e relata o processo mítico de invenção do candomblé. Candomblé é uma palavra de origem banto que significa culto,louvor,reza[1].Esse termo denomina complexos sistemas de cultos religiosos de matriz africana instituídos no Brasil: os cultos aos Orixás, Voduns e Inquices.Conhecidas como religiões afro-brasileiras estes cultos se caracterizam pela heterogeneidade ritual, étnica e social.Possuem em comum a ritualística da possessão e a adoção de rigorosos ritos de passagem e de hierarquia meritória.

Compreender o processo mítico de invenção do candomblé implica em atentar para as singularidades históricas que promoveram novas formas de interação do homem iorubá com a natureza, produzindo novas simbologias litúrgicas. Assim como Claude Lévi-Strauss afirma

(...) o que nos observamos e devemos descrever são antes as tentativas para realizar uma espécie de compromisso entre, por um lado, certas orientações históricas e certas propriedades do meio ambiente e, por um outro lado, as exigências mentais que, em cada época, prolongam as que têm a mesma natureza daquelas que as precederam no tempo.Ao ajustar-se uma á outra, estas duas ordens de realidades fundem-se e constituem então um conjunto significante. [2]

O candomblé possui várias tipologias de cultos. As principais são o candomblé ketu, o candomblé jeje e o candomblé de angola. Nos últimos anos do século XVII e na primeira metade do século XIX, chegam ao Brasil, principalmente ás regiões Norte e Nordeste, um grande contingente de negros oriundos da África Ocidental (nagôs/ yorubas, jejes) .Grande parte destes negros serviram de mão de obra escrava nas plantações de fumo e algodão na Bahia[3].Segundo alguns autores,a chegada tardia á Bahia dos yorubanos e jejes em relação aos negros bantos contribuíram para uma suposta “pureza” de culto e ,por esta razão, jejes e yorubás tendem a ser visto como um grupo que resistiu a mestiçagem preservando organizações sólidas de cooperação.Esta característica teria contribuído para uma maior organização de cultos de matriz africanas no Brasil[4]. Os bantos tiveram seu fluxo migratório bastante diminuído no século XIX , porém seus inúmeros contatos com crioulos e caboclos permitiram novas possibilidades de formas simbólicas como os candomblés de caboclo. Os candomblés jejes-nagôs compreendem os modelos de candomblés nagôs/yorubanos (ketu, ijexá, ijebu, xangôs, egbá) e jejes (daomeanos, mahi, ewe e fons). Os candomblés bantos compreendem os cultos de candomblés angola, congo, muxicongo, benguela, cambinda e caboclo. A estas divisões se convencionou denominar de “nações" de candomblé.

Os primeiros candomblés organizados e registrados são de origem nagô. Entre eles está o candomblé da Barroquinha conhecido como Casa Branca do Engelho Velho da Federação e chamado oficialmente de Ilê Axé Iyá Nassô Oká em homenagem a uma das suas fundadoras, Ya Nassô[5] . O candomblé da Barroquinha ,segundo tradições orais, foi fundado em um terreno localizado atrás da capela de Nossa Senhora da Barroquinha, em Salvador no ano de 1789.Segundo relatos os fundadores deste terreiro eram provenientes de uma irmandade de negros pertencentes a capela da Barroquinha [6]. O grande ineditismo do Axé da Casa Branca foi introduzir um modelo de culto organizado em "sociedade", em yorubá egbé. O pioneirismo da Casa Branca do Engenho Velho é um dos principais elementos de defesa de um modelo hierárquico de cultos. Assim, "pureza africana” e "pureza nagô" se tornaram indissociáveis nos discursos sobre os cultos afro-brasileiros.

O candomblé possui um complexo de significados que são transmitidos historicamente através da oralidade.Estes significados são dinamicamente reelaborados produzindo diferentes formas simbólicas que são perpetuadas pelos adeptos dos cultos.

A cosmovisão iorubá considera que Homem e Natureza não constituem elementos complementares Os iorubás consideram que o Homem é Natureza e suas ações podem ser lidas nos usos dos espaços ambientais. É na tradição do uso dos recursos naturais que nasce o culto aos Orixás. Esses são ancestrais divinizados, representados miticamente como deuses manipuladores de determinada força da natureza[7].Essa está divida por quatro elementos principais: afééfé(ar, vento), omi(água), inán(fogo) e ilé(terra).Conforme descreve Ruy Póvoas ,dentre o povo de santo

(...) se crê na estruturação do universo humano com base nos quatro elementos, Terra, água, Fogo e Ar.As pessoas , então, se consideram , se reconhecem e de comportam como se fossem o próprio elemento.E qualquer prática de cura, tratamento, reposição ou troca passa necessariamente por tal entendimento .Num terreiro de candomblé, jamais se atribuirá a uma pessoa cabeça de Oxum a tarefa de remover o corpo morto de um animal em decomposição ou qualquer outra atividade que implique lidar com cfheiros nauseabundos ou que promovam rejeição.Oxum é moça rica,rainha do brilho, do perfume e assim são também seus filhos.Desrespeitar o humano é também desrespeitar o orixá, pois essas coisas não se separam. [8]

Todos os quatros elementos correspondem a uma relação de Orixás. No Brasil, os iorubás cultuam 16 orixás principais. Relacionados ao fogo temos Exu, Xangô e Iansã. Ligados ao elemento ar tem Oxalufã e Oxaguiã (duas formas do orixá Oxalá). A água é domínio das denominadas yabás (mães / divindades femininas) entre elas Yemonjá e Oxum. A terra está relacionada aos orixás guerreiros e caçadores como Oxossi, Logum-edé, Obaluaye, Ogum ,Oxumarê, Ossaim e Oba.Interessante notar que, comumente, há orixás que pertencem a mais de um elemento como é o caso de Iansã(fogo e ar), Ogum(terra e fogo) e Logum–edé (água e terra).É a individualização da relação de Ancestralidade/Orixá/Natureza que dá surgimento as chamadas “qualidades de santo”.Resumidamente, a qualidade de santo é uma demarcação específica do laço de ancestralidade que traz informações sobre a origem do culto do Orixá pessoal de cada um. Exemplificando: Oxum é a divindade da água doce, cultuada no rio Oxum localizado no Bosque sagrado de Oshogbo (Nigéria).Na região onde o rio apresenta inúmeros troncos de árvores saindo de suas águas, ocasionando inúmeras quedas de raios a divindade Oxum é chamada de Opará e seus encantamentos(ofós) têm relação com Iansã(divindade dos raios).Quando o rio Oxum se torna mais fundo e turvo começa os cultos das denominadas Oxum mais velhas como Oxum Ijimun(nome de outra localidade por onde passa o rio).

A relação de ancestralidade é visível através de sistemas oraculares iorubás como o jogo de Ifá e o jogo de meridilogum, o popular jogo de búzios. Estes se baseiam no sistema de Odu (destino), um sistema binário compostos por versos denominados itans. Dividos em 16 odus principais,o oráculo possibilita 256 combinações de resposta. A relação de ancestralidade é materialmente dramatizada através dos ritos de possessão onde o adepto é possuído por um Orixá pessoal, ou seja, um ancestral pessoal. No rito de possessão é encenada a relação do homem com as forças da natureza.Tomando por exemplo um adepto de Ogum, orixá ligado ao fogo, ao ferro e à guerra.O adepto desta divindade, ao ser possuído, encenará lutas, atividades de forja de ferro e manipulação do fogo para objetivos coletivos como alimentação de uma tribo.Há ainda divindades anteriores a pré-história como Nãnã Buruku, deusa feminina do panteão jeje.O culto de Nãnã é anterior a descoberta do ferro[9]. Por isso é um Orixá relacionada a água e a terra, aos elementos reguladores da agricultura como as chuvas e o barro. Nãnã é encenada como uma velha senhora , ranzinza e austera.Relaciona-se com a passagem entre o céu(orum ) e a terra (ayê) e com Iku ( a morte) devido sua ligação com o barro, elemento que ,segundo a mitologia iorubá , principia e encerra a vida .Eis uma significativa descrição de Nãnã:

Nãnã , anciã dos Orixás, assume o comando da lama para que , separada da água, surja a terra, sólida e firme para ser habitada .A lama é o elemento primordial de nossa criação.Tudo virá dela , e tudo a ela será devolvido depois de cumprida a missão que for destinada a cada ser e a cada coisa.

Serás , portanto, encarregada desta função: devolver à lama o que dela provém .Como símbolo desta outorga, deves construir , com tuas próprias mãos , um cetro de fibras de dedezeiro, enfeixadas e atadas com tiras de couro ornadas de búzios.A ponta superior deverá ser dobrada para baixo e presa ao corpo do cetro , formando o símbolo do poder ancestral feminino do qual serás tu, Nanã, a representante entre os humanos.[10]

O sistema sócio-religioso iorubá é estruturado pela crença em dois espaços:o orun e o aiyê. Orun é o espaço sagrado , morada dos Orixás .O aiyê é o espaço físico, morada dos vivos,.Esses dois espaços não são distantes um do outro.Não há ruptura entre o orun e o aiyê. Há continuidades.Assim como a lenda citada no início do texto , os Orixás podem “visitar” o aiyê através do rito de possessão.Para tal é preciso que o mundo humano se afaste do profano, sacralizando-se. A purificação do Homem para o contato com o sagrado é viabilizada pelo processo de iniciação denominado “feitura de santo”, período de reclusão que dura entre 16 a 21 dias.Além disso , há ritualísticas de limpezas como ebós e práticas litúrgicas fitoterápicas como agbo(água dos orixás) e omiero(água de calma).

A senioridade e a hierarquia são questões fundamentais para os iorubás. A estratificação dos candomblés iorubás é estruturada por “tempo de santo”, ou seja, tempo de iniciação ritualística. Pessoas ainda para ser iniciadas são denominadas abiã (aquele que ainda vai nascer), aquelas com menos de sete anos de santo são denominadas yawo(esposa).Ao completar sete anos de santo , o adepto se torna egbomi(irmão mais velho).É a partir dos sete anos de santo que os predestinados a serem sacerdotes podem abrir seu própria casa religiosa.A maior autoridade no candomblé é o babalorixá(pai de santo) ou a yalorixá(mãe de santo), chefes dos terreiros e principais responsáveis pelos rituais litúrgicos.Após, aos babalorixás e yalorixás, temos os babakekere(pai pequeno) ou yakekere(mãe- pequena), estas pessoas respondem pela organização civil e ritual na ausência dos chefes principais .Há ainda os ogãs e ajoiês. Ogã, termo jeje que significa senhor, são pessoas fundamentais no terreiro.Há três tipos de ogãs: o alabê, o que entoa as cantigas sagradas (orin) e dirige os toques de atabaques nas liturgias; o pegigã, responsável por zelar e resguardar o peji(altar sagrado) e o axogun, responsável pelas matanças rituais,são àqueles que o povo de santo se refere como pessoas com “mão de obé(faca)”.Os cargos de ogã são exclusivamente masculinos e para pessoas que não entram em transe.Ajoiê ou ekedi é um cargo exclusivamente feminino .As ajoiês também não entram em transe e tem como função zelar pelos orixás e responder pelo bom funcionamento do ilê nas obrigações públicas e privadas.Todas estas pessoas são tratadas como mãe ou pai e são muitos respeitadas pelo adeptos do culto.

Toda a prática ritual do candomblé visa um objetivo central: a manutenção do axé.O axé é força vital manipulável, energia que emana de todos e seres e elementos naturais.Maupoil (1943) definiu axé como força invisível, mágico-sagrada de toda divindade , de todo ser e de toda coisa.[11] O axé tem a capacidade de ligar deidades e pessoas através do tempo e espaço. Por esta razão, a localidade dos cultos são chamadas de casa de santo , terreiro , barracão ou simplesmente ilê axé.

Considerando o conceito de Hobsbawn e Ranger (1984) que tradições se opõem ás convenções ou rotinas pragmáticas, sendo inventadas quando ocorrem mudanças amplas e/ou rápidas no ambiente social comportando também adaptações no intuito de conservar alguns costumes ou complexos simbólicos em condições novas, Maria Lina Teixeira reafirma que as tradições do candomblé foram inventadas como um conjunto de práticas atualizadas em função de uma continuidade do passado[12]. Neste processo de reinvenção de tradição , a natureza tem papel fundamental.A dinâmica migratória de escravos acarretou em inúmeros processos de reesignificação simbólica da natureza dos Orixás para os iorubás.

“O tráfico de negros no período escravocrata possibilitou , no Brasil, uma convivência de indivíduos originários das mais diversas culturas africanas.Uniões e cruzamentos impensáveis no continente africano terminaram por acontecer no solo brasileiro”[13]

“A escravidão fez com que o povo iorubá de dispersasse por todo o Novo mundo , e sua herança religiosa seguiu com ele.Em meio à violência , ao sofrimento , ao seqüestro do negro iorubá, quando de sua chegada ao Brasil, Orixás e Egunguns vieram junto, e aqui se instalaram..

Inúmeras outras tribos e etnias também foram trazidas ao Brasil durante o período da escravidão, trazendo consigo seus deuses e suas crenças.Em todos esses quatrocentos anos de convivência forçada, os inúmeros deuses africanos fundiram-se em uma grande religião, chamada candomblé”[14]

A natureza é objeto significativo para entender o processo de reinvenções de tradições nos candomblés iorubás.A dinâmica escravista transatlântica deslocava pessoas e culturas.Em África, os negros trazidos para o Brasil cultuavam seus deuses em consonância com naturezas específicas.Xangô era cultuado como rei do outrora próspero Reino de Oyó.Oxaguiã estava realacionado as terras de Ejigbo.A vinda forçada para o Brasil direcionou o negro à novas culturas naturais e foi preciso criar estratégias para preservação e perpetuação dos cultos dos orixás além África.Por esta razão, este trabalho objetiva analisar como as árvores e os bosques sagrados africanos foram readaptados no Brasil, investigar como foi a resimbolização das águas nos cultos , uma vez que, muitas divindades surgiram de cultos de rios específicos como o caso de Oxum no Rio Oxum e Yemonjá no rio Ogun e também analisar as mudanças significativas nas comidas ofertivas, na fitolatria e na dendrolatria nos cultos iorubás no Brasil.

Pretende -se , assim, desenvolver o que Donald Worster denomina de terceiro nível de análise da História ambiental

(...) um terceiro nível de análise para o historiador , vem aquele tipo de interação mais intangível e exclusivamente intelectual, no qual percepções , valores éticos leis, mitos e outras estruturas de significação se tornam parte do diálogo de um individuo ou de um grupo com a natureza.[15]

No primeiro capítulo apresento uma discussão bibliográfica sobre o tema, atentando para os diferentes discursos na literatura sobre cultos afro-brasileiros.Esses discursos são ferramentas importantes para entender o processo de formação do candomblé.Constituem interpretações do sagrado que nos permite conhecer os diversos tipos de agências envolvidas nas reinvenções de tradições no candomblé.

O segundo capítulo aborda a readaptação de árvores e dos bosques sagrados no Brasil.Ele busca entender a reestruturação do espaço sagrado e sua articulação com novas formas simbólicas praticadas pelos adeptos.Investigo aspectos como a dendrolatria(cultos das árvores) e os diferentes usos da floresta para fins religioso.

O terceiro capítulo aborda o uso litúrgico das ervas nos candomblés no Brasil e sua articulação com o culto da divindade Ossaim, demonstrando ,através da seleção de ervas importantes do culto que ocorreu uma articulação entre África e Novo Mundo pela ótica da etnobotânica.

O capítulo seguinte intitulado Como o Brasil alimenta os deuses africanos: apropriações da Mata Atlântica na culinária ritual dos candomblés iorubas, investiga como a mudança de continente e , conseqüentemente, de espaço ambiental influenciou as comidas votivas aos deuses africanos.Atento para os diferentes usos da vegetação da Mata Atlântica em substituição de espécies africanas na culinária ritual nos cultos aos Orixás no Brasil.

O último capítulo aborda as ressimbolizações dos cultos das águas.Identifico as diferenças entre os cultos dos orixás Oxum e Yemonjá na África e no Brasil, analisando as principais reinvenções realizadas pelos iorubas nos cultos destas duas divindades no Brasil.

As questões selecionadas para serem discutidas nessa monografia representam o anseio de realizar um trabalho de história ambiental dos candomblés iorubas.A farta e prestigiada literatura sobre os cultos afro-brasileiros , comumente, relega a natureza um papel figurante , secundário.Esse trabalho busca inserir a natureza em um dos processo mais polêmicos e debatidos sobre a temática das religião afro- brasileiras: o processo de invenção do candomblé.

Entre o povo do santo acredita-se que para adentrar em qualquer local sagrado se deve pedir agô (permissão).Em homenagem a esta crença começo este trabalho realizando uma restropectiva e uma análise dos escritos dos “mais velhos”.É a forma particular de se pedir agô lonan(permissão para os caminhos ou para caminhar) aos pioneiros desses estudos.



[1]“O termo Candomblé , averbado em todos os dicionários portugueses para designar genericamente os chamados cultos afro-brasileiros na Bahia(...) vem do étimo banto Ka-n-dóm-éd ou mais freqüentemente ka-n-dómb-él-é, ação de rezar , de orar(..) Logo , Candomblé é igual a culto , louvor, reza, invocação, ou local de culto”(C ASTRO, Yedda Pessoa de, 1981,60).

[2] Lévi – Strauss, Claude. “O Olhar Distanciado”, 1983.

[3] Reis ,João José. Domingos Sodré, um sacerdote africano: escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX São Paulo: Companhia das Letras, 2008

[4] BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. São Paulo, Pioneira, 1975.

[5] “Ya Nassô não é um nome próprio, antes um título, um oiê(cargo), que se atribui às pessoas para determinar ou modificar o seu status na estratificação social do grupo a que pertencem .No casão , Ya Nassô é um título altamente hono rífico , privativo da corte do Alafim de Oió, isto é, do rei de todos os iorubás .O título corresponde a funções religiosas específicas e da maior significação na cultura dos iorubás .é a Yá Nassô quem, em Oyo,a capital da nação política dos iorubás , encarrega-se do culto de Xangô, a principal divindade dos iorubás e o orixá pessoal do rei.Cabe a Ya Nassô cuidar do santuário privado do Alafim ;relaizar todas as cerimônias proporciatórias do culto, os sacrifícios ,as oferendas , “zelar” ,enfim, pelo santo do rei.” (Costa Lima, 1977, p.32)

[6] Silveira, Renato.”O Candomblé da Barroquinha”, 2007.

[7] “Os orixás são ancestrais divinizados, intermediários entre humanos e forças da natureza e diretamente relacionados aos elementos da vida cotidiana” (Conduru,2004,p.11)

[8] PÓVOAS, Ruy do Carmo .Dentro do Quarto In: Faces da Tradição Afro-Brasileira: religiosidade, sincretismo, anti-sincretismo, reafricanização, práticas terapêuticas, etnobotânica e comida. Carlos Caroso, Jeferson Bacelar [organizadores]. Rio de Janeiro : Pallas; Salvador, BA: CEAO, 1999,pg. 215.

[9] “O ferro imprime, também, uma característica especial às religiões afro-brasileiras.Determina a divisão do panteão afro-brasileiro entre famílias de orixás anteriores à Idade do Ferro e posteriores ao conhecimento desse metal- o que imprime importante questão sobre antiguidade, a procedência e pertencimento de cada família de orixá a uma região, civilização e forma de culto específica.”(Conduru,2004,pg.14)

[10] OGBEBARA ,Awofá (Adilson de Oxalá) . Igbadu: a cabaça da existência: mitos nagôs revelados. Rio de Janei-ro: Pallas, 1998, p. 47).

[11] Maupoil,, Bernard.La geómancie à l’ancienne côte dês esclaves, Paris: Institut d’ Éthnologie,1943, p.334.

[12] TEIXEIRA, Maria Lina .Candomblé e a [re] Invenção de Tradições IN: Faces da Tradição afro -brasileira.Caroso & Serra (org.)Rio DE janeiro: Pallas; Salvador, BA: CEAO,1999.pg.131.

[13] PÓVOAS, Ruy do Carmo .Dentro do Quarto In: Faces da Tradição Afro-Brasileira: religiosidade, sincretismo, anti-sincretismo, reafricanização, práticas terapêuticas, etnobotânica e comida. Carlos Caroso, Jeferson Bacelar [organizadores]. Rio de Janeiro : Pallas; Salvador, BA: CEAO, 1999,pg. 213.

[14] EPEGA,Sandra Medeiros.A Volta à África- Na contramão do Orixá .In: Faces da Tradição Afro-Brasileira: religiosidade, sincretismo, anti-sincretismo, reafricanização, práticas terapêuticas, etnobotânica e comida. Carlos Caroso, Jeferson Bacelar [organizadores]. Rio de Janeiro : Pallas; Salvador, BA: CEAO, 1999,pg. 159.

[15] WORSTER, Donald. Para fazer História Ambiental. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol.4, n.8,1991,pg.202.

Interpretações do Sagrado: uma breve discussão bibliográfica sobre religiões afro -brasileiras


por Cintia Raymundo (Cintia da Oxum)



As religiões ditas afro-brasileiras são vistas como lócus de resistência e resgate cultural da identidade negra remetendo, na concepção geral, a uma idéia de retorno á uma suposta África primitiva e mítica.O símbolo deste processo de busca e identificação sempre foram os candomblés nagôs baianos.

Os estudos sobre a religião começaram a serem abordadas em produções específicas na literatura brasileira no começo do século XX através do médico Raymundo Nina Rodrigues , do cronista João do Rio e de Manuel Querino. Rodrigues estudou a religião na Bahia nos primeiros anos daquele século.Suas principais obras intitulam-se “O animismo fetichista dos negros bahianos” (1900) e “Os africanos no Brasil” (1906). João do Rio se ateve ao Rio de Janeiro e em 1904 concluiu a obra “As religiões do Rio”. Manuel Querino foi um pioneiro na observação participativa. Os relatos deste autor em “Costumes africanos no Brasil” (1938) foram usados por inúmeros pesquisadores em posteriores estudos.

A partir daí as ditas religiões afro-brasileiras passaram a ser tema corrente de diversas publicações que se perpetuavam cada vez mais, apresentando múltiplas perspectivas.

A questão da “pureza africana” é um tema corrente nas abordagens dos autores que se prepuseram a dissertar sobre os cultos afro-brasileiros. As abordagens teóricas sobre o assunto apresentam perspectivas diversas, por vezes contrastantes. O conceito de “pureza africana” é concebido, na maioria dos estudos, como um conjunto de práticas ritualísticas e culturais supostamente primitivas que remetem a uma representação de África mítica e original conforme a concepção de “África Eterna” (Manning, 2000). Esta se torna referência para uma suposta raiz de origem onde as nações do candomblé direcionam e buscam construir analogicamente sua história. Os africanismos são então supervalorizados dando aos candomblés tradicionais uma polaridade positiva. Contrapondo a este pólo positivo, as práticas religiosas sincréticas como a macumba é percebida como degenerada e pobre miticamente e ritualmente. A umbanda e suas variações como o Omolocô são concebidos em muitos discursos como a polaridade negativa, pois representa para muitos autores a derrota do africanismo pela branquidade.

A idéia de "pureza africana” condicionou também o processo de hierarquização de cultos e etnias através do ideal de "pureza nagô".

Nos primeiros discursos esse ideal foi percebido sobre a perspectiva médica (Nina Rodrigues), progressista (João do Rio) e folclórica (Manuel Querino). A partir dos anos 30 a antropologia cultural ganha terreno e começa a se perceber a troca do enfoque dos estudos das raças pelo estudo das culturas. Melville Herksovits e Athur Ramos são autores desta nova perspectiva antropológica. Arthur Ramos destaca-se pelas suas abordagens sobre religiosidade sempre vinculadas aos processos históricos e sociais sem subordinação ás características biológicas. Todos estes autores defenderam um modelo hierárquico de cultos

A literatura sobre os cultos afro-brasileiros pode ser dividida em quatro

momentos: o primeiro momento seria a literatura médica representada por Nina Rodrigues, pelas crônicas de João do Rio e pelo trabalho pioneiro de observação participativa de Manuel Querino nos primeiros anos do século XX; o segundo momento seria representado por autores que realizaram a maioria de suas pesquisas nas décadas de 30 e 40 tais como Edison Carneiro, Arthur Ramos, Ruth Landes e outros.No terceiro momento teríamos autores que dialogaram mais intensamente com a África em suas pesquisas tais como Roger Bastide e Pierre Fatumbi Verger. O quarto momento é representado por autores que debatem a idéia de “pureza africana”, por aqueles que passam a estudar outros modelos de culto como a umbanda e por novos debates sobre tradições no candomblé jeje-nagô. Dentre estes autores estão Juana Elbein dos Santos, Vivaldo da Costa Lima, Beatriz Góis Dantas, Hélio Vianna, Rita Laura Segato, Lorand Matory, Peter Fry. Stefania Capone, Renato Ortiz, Georges Lapassade, Marco Aurélio Luz, Márcio Goldman, José Flávio Pessoa de Barros, Júlio Braga, Wagner Gonçalves, Reginaldo Prandi, Patrícia Birman, Marina Lina Trindade, Monique Augras, Yvonne Maggie entre outros. Neste grupo de autores há constantes questionamentos e debates com as teorias antigas e com as teorias do próprio grupo de autores.

O primeiro momento, como explicitado, pode ser representado por Raymundo Nina Rodrigues e João do Rio. Nina Rodrigues foi simpatizante do evolucionismo e das teorias raciais.Defendeu a idéia de hierarquia de raças.No começo do século XX, esteve na Bahia estudando o fenômeno do transe entre membros do candomblé. Nina foi o primeiro a hierarquizar os cultos, elegendo os cultos jeje-nagô como mais “puros” e complexos mitologicamente, portanto, mais legítimos enquanto os bantos seriam mais pobres mitologicamente e “impuros”. Em o Animismo Fetichista dos Negros Bahianos (1935) afirma:

“Para o negro creoulo e o mestiço que não receberam influência tão directa da educação de pais africanos que delles se foram segregando pela ignorância da língua e maior convivência com os outros elementos da população mesclada e heterogenea do estado, as praticas fetichistas e a mythologia africana vão degenerando da sua pureza primitiva, gradualmente sendo esquecidas e abastardadas, ao mesmo tempo que se transfere para os santo católicos a adoração fetichista de que eram objeto os orisás”. (cap.5,p.322)

Pode-se dizer que Nina Rodrigues foi o precursor da idéia do “mito da pureza africana”.Porém ele não protagonizou sozinho este acontecimento. Suas idéias foram muitas influenciadas pelo babalawo Martiniano do Bonfim[1]. Babalâo ou babalawo em iorubá que significa o pai do segredo. É o adivinho do jogo de Ifá, o mais tradicional sistema oracular africano. Os informantes, adeptos e conhecedores dos cultos que fornecem informações em troca de favores, assumem papel fundamental na construção destes discursos.

A obra “Religiões do Rio” foi realizada pelo célebre cronista João do Rio no começo do século XX na cidade carioca. João do Rio teve como cicerone o negro Antônio, um adepto da crença. Juntos visitaram os ditos feiticeiros da cidade. Analisando sacarsticamente, o autor possui uma visão sobre o mundo mediúnico como espaço de feitiço, onde predomina a marmotagem, a sacanagem e a exploração. Segundo o escritor, a elite está comprometida com este universo profano tratando-o como um “carinho de um negociante por uma amante atriz” (Rio, 1906:35).Essa metáfora é interessante para pensar a relação destas práticas com a sociedade mais ampla. Revela a sedução que atraem esses membros da elite a este universo paralelo e perigoso, onde o outro é classificado em categorias. João do Rio afirma que a sociedade vive na dependência do feitiço, ela alimenta a crença a recorrerem a seus efeitos mágicos.O espaço das práticas da macumba são pra o autor os espaços da criminalidade, os terreiros aparecem comparados a hospícios franceses e os sacerdotes como embromadores e enganadores que usam a ignorância e o desespero das pessoas para se darem bem.A visão do feitiço como atrativo remete a Nina Rodrigues que afirmou que o principal veículo de legitimação de poder do feiticeiro era o segredo e o temor do feitiço pela sociedade. João do Rio constrói uma obra que nos prende dentro de sua narrativa, permeada de conceitos negativos com as práticas religiosas em geral. Todavia percebe-se que a crítica do autor era mais para as pessoas do que com as práticas em si.A forma que as pessoas lidam com as práticas a levando a ser uma fonte de renda incomodava o cronista e o fez criticar os praticantes questionando seus valores morais através do que presenciou em companhia de Antônio.

O segundo momento é representado por autores como Édison Carneiro, Ruth Landes, Gilberto Freyre e Arthur Ramos. Esses autores perpetuaram a concepção de uma suposta existência de uma linhagem mais genuína de formas de cultos. As principais obras destes autores foram escritas nas décadas de 30 e 40.Gilberto Freyre publica “Casa Grande e Senzala” (1938) onde expõe sua visão romantizada da mestiçagem. Athur Ramos publica “O negro brasileiro” (1934) e adere a corrente culturalista perpetuada por Melville Jean Herskovits que publica em 1937 o artigo intitulado “African gods and Catholic saints in New World religious belief” em uma publicação especializada em religião comparada. Édison Carneiro publicaria “Religiões Negras / Negros Bantos” (1936-37), “Os mitos africanos no Brasil” (1937) “Candomblés da Bahia” (1948) e serveria como cicerone de Ruth Landes em “A cidade das Mulheres” (1947), obra da autora realizada no final da década de 30.Época que Landes visita os principais terreiros da Bahia dentre eles o Gantois de Mãe Menininha da Oxum, o Bate – Folha de Joãozinho da Goméia e o terreiro da Casa Branca do Engenho Velho da ialorixá Tia Massi. Landes visita também Martiniano do Bonfim, que lhe revela sua ligação com Nina Rodrigues e permite perceber as convergências das idéias do babalawo com a do médico maranhense.

O terceiro momento é representado em sua maioria por intelectuais franceses como Pierre Verger e Roger Bastide Ambos eram ligados ao terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá e filhos espirituais de Mãe Senhora de Oxum (Maria Bibiana do Espírito Santo).Nota-se nos discursos destes também uma supervalorização do modelo jejes-nagô de culto. Porém há preocupação em realizar comparações entre as formas de cultos no Brasil e na África. Entre as obras destacam-se “Orixás na África e no Novo Mundo” e “Notas sobre orixás e voduns na África e no Brasil” de Pierre Verger e “As religiões africanas no Brasil”, “Candomblés da Bahia” e a “Macumba Paulista” de Roger Bastide. Todas elas, exceto “A Macumba Paulista”, buscam ressaltar as semelhanças entre as formas de cultos em África e no Brasil. “A Macumba Paulista” é uma amostra da concepção bastideana sobre os cultos de origem banto. Para o autor a macumba e todas suas derivadas contrapõem aos candomblés nagô pela sua degeneração, pela presença substancial dos brancos ,principalmente dos imigrantes ,que trazem a lógica capitalista para dentro do culto e tentam ganhar dinheiro com as práticas mágicas manchando a imagem de uma crença, que segundo ele, já é fraca miticamente e que favorece as individualidades em contraposição dos candomblés nagôs onde as famílias de santos são mantidas por laços de coletividade. O candomblé dito tradicional para Bastide é fruto da resistência do negro e por isso deve ser ressaltado e preservado.

Os deuses “sobem” ao mesmo tempo que seus fiéis .Mas aí, enquanto sobem, se desnaturam.É o estudo que concluímos das representações coletivas , deixa transparecer uma certa ambivalência de sentimentos entre a fidelidade à África e sua atraição, pois para “subir”, os orixás são obrigados a se branquear.[2]

O quarto momento há autores que realizaram e publicaram pesquisas mais recentemente. Muitos questionam a concepção de “pureza africana” a concebendo ora como construção de intelectuais vinculados a contextos históricos ora como construção da própria comunidade de santo com fins políticos e econômicos. Da primeira idéia temos como representante Beatriz Góis Dantas. . As perspectivas que atenta para as agências dos adeptos das seitas tem como representante J. Lorand Matory que defende que a atuação de informantes são cruciais para a permanência de um ideal de pureza.Matory estuda principalmente informantes e adeptos que viviam em contato transatlântico com a África tais como Martiniano do Bonfim e Felisberto Sowser, o Benzinho. Sem sair do questionamento a esta noção de pureza, há os autores que pesquisaram e construíram discursos sobre a Umbanda e seus diversos segmentos. Questionando a percepção depreciativa destes segmento de culto, autores como Georges Lapassade e Marco Aurélio Luz em “O segredo da macumba” começam a requerer legitimidade para este culto Há diversos autores que ,ao estudar a Umbanda, reproduziram antigas percepções baseadas em questões de raça tal como Renato Ortiz cujo título do seu livro sobre umbanda “A morte branca do feiticeiro negro” traz explicito esta abordagem.Segundo Ortiz, os cultos de matriz africanas tiveram que sofrer processos de “branquidade” como o sincretismo para serem desvinculados da categoria de baixo espiritismo.Há autores que se aventuraram em descobrir a umbanda vista de dentro, através de uma intensa observação participativa como Yvonne Maggie em “Guerra de Orixá”.Destaca também “Medo do Feitiço: poder e magia no Brasil” a qual Maggie realiza estudos de casos usando como fonte os inquéritos policiais sobre repressão às práticas de magia na Primeira República no Rio de Janeiro.Maggie atesta o imaginário de caráter marginal das seitas perante a sociedade tal como João do Rio descreve em sua obra.

Outros discursos contemporâneos enfocam temas específicos dentro da religião tais como sexualidade (Patrícia Birmam em “Fazendo estilo, criando gênero), identidades (Márcio Goldman em sua dissertação de mestrado” A possessão e a construção ritual da pessoa no candomblé”, Claude Lépine em” Contribuição ao estudo do sistema de classificação dos tipos psicológicos no candomblé ketu de Salvador “e Rita Segato em “Santos e Daimones “) ou legitimidade (Reginaldo Prandi em “Os candomblés de São Paulo” ).

Há autores que são simpatizantes do candomblé.Mais do que defender um tradicionalismo eles atuam como legitimadores da crença perante a sociedade a defendendo de ataques de outras religiões .Dentre destes autores estão Vagner Gonçalves da Silva, José Flávio Pessoa de Barros, Júlio Braga, Sérgio Ferreti e Mundicarmo Ferreti.

Stefania Capone, antropóloga francesa, em “A busca da África no candomblé: poder e tradição no Brasil” ( 2000 ) investiga as principais linhagens de cultos e defende que as delimitações entre os mesmos são fluídas e inconstantes. Explicita também, através de estudos de casos, os conflitos decorrentes de práticas de candomblé com práticas umbandistas. É pertinente e atual o conflito exposto sobre a aceitação ou a rejeição dos Exus de umbanda no candomblé.Além de uma longa pesquisa das linhagens de família de santo, ou seja, quem é filho de quem, Capone investiga as diferentes formas de cultos tanto no candomblé quanto na umbanda, interpreta seu histórico e aponta suas continuidades e descontinuidades.

A natureza sempre esteve relacionada a questões de etnobotânica e de estruturação dos espaços sagrados .Os principais estudiosos sobre esta temática são Pierre Verger em Ewé: Uso de Plantas na Sociedade Iorubá”; José Flávio Pessoa de Barros em O segredo das folhas: sistema de classificação de vegetais no Candomblé jêje-nagô do Brasil e Ewe Orisa: uso liturgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé Jeje-Nagô ; Raul Lody em “7 folhas de defesa: ecologia, magia e cotidiano” e “Árvores Sagradas : etnografia e ecologia no candomblé, no Xangô e no Mina Jeje- Nagô” capítulos do seu livro Povo de Santo ; Oderp Serra em A Etnobotânica do Candomblé Nagô da Bahia : cosmologia e estrutura básica do arranjo taxinômico e Ângela Lühning em Ewé: as plantas brasileiras e seus parentes africanos.Esse trabalho possuiu significativa importância para esta pesquisa.

Toda casa de candomblé possui sua cumieera, centro de axé principal , local fundamental de referência sagrada ,normalmente, caracterizado como uma haste central no salão principal do terreiro dedicada ao Orixá Xangô ou ao Orixá patrono da casa.Afirma o povo de santo que a cumieera é a ligação maior com a África e remota a história da árvore do esquecimento

Neste lugar se encontrava a árvore do esquecimento. Os escravos homens deviam dar nove voltas em torno dela. As mulheres sete voltas. Depois disso supunha-se que os escravos perdiam a memória e esqueciam completamente seu passado, suas origens e sua identidade cultural, para se tornarem seres sem nenhuma vontade de reagir ou de se rebelar [3]

É a partir das árvores, símbolo máximo de ligação com o sagrado, que começa a desvelar os caminhos sinuosos desta pesquisa.



[1] LANDES, Ruth. A cidade das mulheres. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.Nesta obra,Ruth Landes reproduz uma conversa que teve com Martiniano do Bonfim onde este afirma ter sido o informante de Nina Rodrigues.

[2] BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil ,vol.2, São Paulo, Pioneira, 1971,pg.456.

[3] Documentário Atlântico Negro - Na Rota dos Orixás ,1998